segunda-feira, 22 de julho de 2013

A diferença social presente até na hora da morte

O crescente estado de miséria, as disparidades sociais, a extrema concentração de renda, os salários baixos, o desemprego,a fome que atinge milhões de brasileiros, a desnutrição, a mortalidade infantil,a marginalidade, a violência, são exemplo do grau a que chegaram as desigualdades sociais no Brasil. Em muitos casos essas diferenças estão presente até na hora da morte. Aquele ditado que todos somos iguais diante da morte,não é verdade, existe muita diferença entre o rico e pobre. O pobre sofre até para ser sepultado, começa pelo custo do sepultamento  Em algumas cidades a família tem que levar um atestado de pobreza para a assistente social liberal o caixão da prefeitura. Cemitério de pobre parece uma sucursal do inferno, túmulos quebrados, mato, ossos amontoados, lixo, se for na época chuva lama por todos os lados, total abandono e desrespeito aos mortos, em algumas cidades o cemitério virou ponto de encontro de usuários de crack de tão abandonados.Em cidades que tem morros, o cemitério fica no local mais alto da cidade e de difícil acesso. Quando a família leva o morto para ser sepultado, parece que está levando direto para o céu de tão alto é o lugar. Se o morto ressuscitar nesse cemitério morre novamente de tão desolador é o local. Já presenciei velório que família não tinha pessoas para carregar o morto, além da dor da perda existe também a dificuldade para o sepultamento. Já para os ricos é tudo bem diferente e fácil, até a dor da perda é bem menor. Começa pelo cemitério que aliás tem nomes poéticos como: Campo da paz, Jardim da saudade, Parque da Flores,Campo da boa Esperança,Memorial da saudade, Portal da saudade, Jardim da Paz,Bosque da Paz etc. O lugar parece mais um parque que um cemitério com flores, alamedas calçadas, gramado bem cuidado, tendas para a família se abrigar em caso de chuva ou sol, árvores, o morto nem para baixo da terra vai, pois tem gavetas muito bem acabadas.Em cemitérios horizontais se encontra o maior poder econômico do morto com sepulturas que são verdadeiras obras de arte, muitas importadas de outros países. Alguns desses cemitérios de tão rico, já virou atração turística em muitas cidades, na Argentina o cemitério La Recoleta em Buenos Aires é atração turística pela beleza das sepulturas e também pela sepultura da Evita Peron. A urna do rico tem valor da casa de um pobre com tudo dentro. Velório de pobre só vai a família, já os ricos parece gente de todos os locais, políticos, vizinhos, parentes de outras cidades, amigos então surge aos montes. A família se veste como se fosse para a entrega do Oscar, ternos, vestidos pretos, saltos, óculos escuro que até as crianças usam, só falta o tapete vermelho. As coroas de flores parecem uma floricultura ambulante, o cortejo só vai carrões de luxo que mostra o poder do morto. O morte leva o luxo para outra vida, se é mulher vai muito bem maquiada como se fosse para uma festa, os homens com ternos de grifes.Na hora do sepultamento silêncio total, você só escuta o barulho dos saltos das mulheres que acompanham o cortejo, ninguém chora, isso quando não contratam um músico para tocar My Way do grande Frank Sinatra ou Ave Maria de Gounod. A celebração sempre tem um padre ou um pastor conhecido da mídia.Infelizmente a desigualdade social está presente até no ultimo suspiro da vida. Nós somos aquilo que possuímos, não adianta alguns sonhadores dizerem que somos todos parecido na dor, isso não é verdade. A dor pode ser igual, mas para os menos favorecidos ela é muito maior. O poder capitalista está presente na nossa vida, a desigualdade social cria as diferenças sociais que exclui as pessoas em qualquer situação, seja no nascimento ou na morte.