quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cidades em foco



Os profissionais que trabalham com turismo, às vezes ouvem comentários sobre o local de visitação, que muitas vezes reflete e realidade. O turista enxerga a realidade dele, que a população local não consegue ver, só que nesse olhar do turista, muitas vezes estão as mazelas sociais, que nem as autoridades locais enxergam.
Verão com alta temporada, época para sentir a brisa do mar e sol dos trópicos. Programa perfeito, mas tem aquele turista que prefere roteiro mais tranquilo.
Meu roteiro era levar um grupo em várias cidades do interior e conhecer as fazendas da época do café, roteiro cultural. As fazendas são lindas fazem a gente voltar ao tempo dos grandes barões do café, com espaços suntuosos que refletem a riqueza da época colonial do Brasil. Esse roteiro bucólico foi incluído um pernoite numa cidadezinha bem pequena. A cidade em si é bonita, com casarões coloniais e sua localização geográfica muita linda, cercada por montanhas verdes.
Noite quente, os turistas queriam aproveitar a cidade. Para minha surpresa não tinha onde comer, pois os restaurantes fecham às 3 horas da tarde. A cidade está incluída em roteiro turístico e recebe grupos de turistas. Portanto teriam que ter um local aberto para os turistas, começa ai as mazelas.
A cidade não tem nenhum tipo de diversão, o programa dos moradores é ficar andando entre as praças existentes no local. No final da noite, eles devem caminhar longos kilômentros de tanto que andam entre as praças.
Um fato que chamou minha atenção e de uma turista que estava comigo, foi o número de cachorros nas ruas, deve ser maior que o número de habitantes da cidade. Tem cachorro de todo o tipo, pequeno, grande, feio, bonito. Tem momento que você não sabe se desvia dos cachorros ou das crianças mal educadas, que apostam corridas de bicicletas na praça e falam palavrões impublicáveis.
Entre encanto e desencanto, a turista observa aquele lugar monótono e sem vida e faz o seguinte comentário, ”a cidade é bonita, mas seus moradores são feios demais, eles parecem sem vida”. A turista observadora estava certa, pois eles vão para os botecos e bares, se embriagam muito. Além dos cachorros e das crianças mal educadas, tem os bêbados para você desviar, se não quiser levar uma trombada, é deprimente para aquela cidade pequena e bonita.
Uma moradora local também observadora começou a mostrar os casais bizarros da noite, eu não tive como não rir. Estava ali outra observadora com olhar maligno.
E os acontecimentos bizarros continuam na noite bucólica, um casal briga em plena praça, o homem bate na mulher, a polícia chega para prender o agressor e para minha surpresa, a mulher não deixa levar seu homem e sob os palavrões impublicáveis, vira contra os policias e a favor do agressor. A moradora comenta que ali está à população pobre do local, curiosa pergunto onde estão os ricos da cidade, e ela desabafa, “moça quem tem dinheiro vai para cidade vizinha, lá tem cinema, shopping Center, bares de alto nível, gente bonita, aqui só tem gente pobre e pobre só faz vergonha”. Falar o que diante dessa observação da moradora, ela sabe o que diz, afinal vive ali. A turista ao meu lado faz o seguinte comentário, “é como  no século XIX, a casa grande fazia festas para os senhores e aos escravos só restava à senzala e aqui resta a praça, a bebida, a droga, brigar, não mudou muita coisa”. Engraçado na cidade tem internet banda larga, telefonia móvel, TV á cabo, a evolução tecnológica chegou lá, mas o sistema de saúde é precário, falta uma série de coisas, é como nas grandes metrópoles, tem as mazelas sociais.











8 comentários:

  1. Frida, não sei qual é pior a moradora local ou a turista. Voce teve que ouvir todos esses comentários?.Porque você não mandou elas observarem a lua e as estrelas.Depois de todos esses acontecimento em uma noite e você ainda vem me dizer, que não tem diversão na cidade? Eu iria rir muito, bj

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  2. Essa moradora devia ser candidata na cidade, pois ela consegue ver o que os outros não enxergam. Parabéns, ela definiu a diferença social gritante no país.Em muitas cidades, do interior, as diferenças sociais são grandes. Ela faz a diferença, assim deveriam ser todo eleitor, enxergar nas entrelinhas.

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  3. Moro em cidade do interior e aqui também tem problemas, e ficamos esquecidos dos politicos da capital,eles mem sabe onde fica no mapa.A população vive na cegueira. beijos.

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  4. Parabéns pelo blog.Esta cidade que vc foi visitar ainda tem as caracteristicas da época colonial. As classes sociais são separadas pelo poder do dinheiro.

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  5. Henrique, Porto Alegre-RS30 de janeiro de 2011 05:05

    Eu vejo totalmente diferente, a moradora é uma fofoqueira, que sabe a vida de todo mundo na cidade, a turista foi para analisar a população local e não para ver as belezas da cidade. Pela descrição a cidade é bonita e histórica. Pena que muita gente não consegue ver a beleza dos lugares. Eu também trabalho com turismo e vejo muito isso acontecer. Beijos

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  6. Essa moradora deveria criar um blog, para ir contando os episódios da sua cidade. Ou então abrir um restaurante que servisse jantares, sempre ganhava algum dinheiro!

    Beijoca!

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  7. Gente falta homem, imagine! a mulher lutou pelo seu homem, amores e tapas esquentam a relação.
    Já que a cidade tem mais cachorro que gente, ela está certa.A cidade é movimentada, tudo isso aconteceu em uma noite?

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  8. Como viajante da Europa, conheço as duas versões de muitas grandes cidades, como Paris por exemplo, tem o lado fashion, com tudo bonito para turista ver, depois há o outro lado, o lado pobre, da miséria, do pobre mesmo, em que se vê tendas e barracas, feitas de plástico e paus; é aí que vive o pobre, é aí que se reflecte a verdadeira civilização, e é para aí que os políticos não olham!!
    Beijos

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